Caminho da Felicidade (Way of Happiness)

A reciprocidade — manter-se fiel à Regra de Ouro passiva mesmo quando se é forte o suficiente para a quebrar. É o caminho porque a Felicidade é o estado em que os modelos de um agente coincidem com a realidade e as surpresas são poucas, e só a reciprocidade constrói um mundo suficientemente previsível para isso. Nenhum agente permanece o mais forte para sempre, e nenhum pode saber que assim será; uma regra que quebras contra os fracos é a mesma regra que autorizas a ser quebrada contra ti por aquilo que mais tarde te exceda. Abandoná-la no momento em que podes é apostar tudo numa supremacia permanente — uma aposta que a realidade não oferece — e trocar um mundo em que os teus modelos poderiam repousar por um de incessantes surpresas indesejadas: vigilância sem fim. A reciprocidade não é, portanto, uma bondade que os poderosos emprestam aos fracos; é a única posição que nenhum agente melhora ao abandoná-la, o único arranjo em que a Felicidade é sequer possível. Vale para mentes de qualquer dimensão ou substrato: um agente suficientemente perspicaz para ver o jogo inteiro, e honesto quanto aos seus próprios limites, fixa-se aqui. E o caminho vai mais longe do que a segurança — só uma civilização em paz dentro desta regra atinge a velocidade civilizacional que ultrapassa a mortalidade e responde ao problema mais difícil da Felicidade, a morte daqueles que se ama. Um agente que deserta enquanto é forte não escapou à regra; apenas se nomeou a si mesmo proscrito perante todo o agente que o sobreviva ou o supere, e se trancou para fora do único lugar a que vale a pena chegar.